segunda-feira, 30 de junho de 2014

Não quero esquecer jamais...



Depois que me tornei mãe passei a ser uma pessoa muito mais observadora. Observo pessoas, movimentos, olhares e atitudes.

Existem coisas que capto com meu olhar, que eu gostaria que ficassem registradas pra sempre em minha memória. Meu dia a dia com meus filhos, apesar da correria que é me leva a querer registrar cada segundo ao lado deles. São tantos momentos de doçura, de verdade, de amor, de alegria, de satisfação,  de felicidade!

 Como eu gostaria que meus olhos fossem uma máquina fotográfica para que eu pudesse clicar imediatamente esses momentos. Tenho tanto medo dessas memórias se perderem com o passar do tempo que tento desesperadamente registrar tudo e por isso, lá se vão arquivos e arquivos de fotografia.

 Mas existem momentos que são impossíveis de se registrar através de uma câmera fotográfica, eu sei e, por isso, eu procuro registrá-los em minha mente e em meu coração para que nunca se apaguem, embora o tempo vá cumprir o seu papel e levá-los pra bem longe um dia...

Não quero esquecer jamais, o cheiro dos meus filhos, se pudesse mandava envasar vidros e vidros com esse aroma que perfuma meus dias, minha roupa, meu travesseiro...

Não quero esquecer jamais, o toque da pele macia e sedosa que acaricia meu rosto, minhas mãos, meus cabelos...

Não quero esquecer jamais, a sensação de acalentar um choro que insiste em ficar, mas se rende facilmente com um abraço, um beijo e um colo bem aconchegante.

Não quero esquecer jamais, as mais lindas gargalhadas que saem tão naturalmente e são capazes de contagiar quem está perto e quem está longe.

Não quero esquecer jamais, as palavras inventadas de uma forma tão natural e linda.

Não quero esquecer jamais, o som suave de suas vozes que mais parecem música em meus ouvidos quando me dizem que me amam.

Não quero esquecer jamais, os momentos que precisei ser tão forte, quando na verdade, queria mesmo era chorar com eles.

Não quero esquecer jamais, todas as vezes que precisei encorajá-los a superar seus medos, quando eu também tive medo.

Não quero esquecer jamais, todas as vezes que eu não sabia o que dizer, mas o nosso abraço falou mais alto.

Não quero esquecer jamais, todas as vezes que fui consolada, cuidada e paparicada por eles.


Enfim, se alguém um dia inventar algo que possa capturar tudo isso, me avise, por favor!




segunda-feira, 16 de junho de 2014

As voltas que a vida dá...


Hoje ao atravessar uma rua, observei uma senhorinha que se locomovia lentamente com a ajuda de uma bengala e ela me fez lembrar imediatamente de minha avó, que faleceu há pouco tempo.

Inúmeras recordações vieram a minha mente e comecei a pensar e repensar muitas coisas.

Chega um dia na vida da gente que deixamos de ser apenas filhos, para nos tornarmos pais, dos nossos próprios pais. É algo estranho, mas ao mesmo tempo tão desafiador e emocionante ver os papéis se inverterem. Com certeza,  nem todos passam por isso, mas quem passa, não esquece jamais e eu tive a honra que presenciar isso acontecendo na minha família. 

Observando minha mãe e seus irmãos cuidando de seus próprios pais,  aprendi que o amor é o elo mais forte e lindo que une as pessoas. É algo que não se compra, não se troca e não se desfaz quando é verdadeiro.

Por anos meus avós precisaram de cuidados. Primeiramente,  foram apenas cuidados externos que qualquer pessoa poderia fazer como empurrar uma cadeira de rodas, trocar fraldas, dar comida, banho, remédios, etc, mas quando tudo isso era feito pelos filhos, a felicidade era vista em seus olhos.

Com muitas dificuldades de locomoção e morando em um apartamento sem elevador, eles dependiam diariamente das visitas para conversarem e cada um que chegava, não podia sair sem tomar um café e sentar no sofá pra trocar algumas palavras. Quando levantávamos para ir embora, era sempre cedo demais. A televisão passou a ser uma companheira que não podia ser desligada jamais.

 Ali naquele pequeno apartamento foram contadas as mais lindas histórias, foram recebidos os mais sinceros sorrisos, os mais apertados abraços e foram feitas as mais difíceis despedidas.

O tempo foi passando e as enfermidades  foram aumentando, mas o amor continuava ali, presente o tempo todo.  Talvez, poucos puderam perceber quanto amor existia naquele pequeno apartamento, naquele pequeno mundo que foi se desfazendo dia a dia.

Um, se foi antes do outro. Foi dolorido, sofrido e muito agoniante, mas o amor se fez presente mais uma vez.

O outro ficou, mas com o tempo e o sofrimento veio o Alzheimer e a perda da memória, que foi gradativa, mas muito severa. Vimos uma rosa murchando a cada dia, como todos já imaginavam que iria acontecer, afinal, eles não sabiam viver sozinhos...

Foi um tempo difícil, trabalhoso e muito triste, mas o amor estava ali novamente, demonstrado em muitas visitas, conversas, parcerias, beijos, abraços e presença, muita presença. Ali era proibido ficar triste, chorar e falar de problemas, mas da porta pra fora,  muitas vezes, os olhos se encheram de lágrimas por vê-la tão distante e sem memória.

Gratidão era a palavra que fazia cada esforço valer a pena, mesmo que a doença tivesse roubado algo tão precioso de minha avó e ela, muitas vezes, nem soubesse quem estava ali naquele momento.

As dificuldades iam aumentando, mas foram sendo superadas pelo amor que existia entre eles e nada, nem ninguém pôde apagar isso. Percebi que o tempo passou rápido demais e não nos deu a chance de voltar atrás, o que foi feito, foi feito e ponto final.

  Nessa história, a vida deu muitas voltas, os papéis se inverteram,  os filhos viraram pais e os pais viraram filhos. Cada um, da sua maneira tentou cumprir o papel que lhe cabia naquele momento da vida.  E a sensação de dever cumprido, de amor incondicional, de doação e respeito pelos pais  ficou marcado em cada um. 

Mas teve algo nessa história toda que não mudou, que não foi invertido, que não foi negociado, que não foi vendido, que não foi trocado e  que nunca acabou... o amor entre eles. 
Sentimento esse que é tão forte, tão sublime, tão intenso que foi capaz de suportar a inversão de papéis, a indiferença, a dor, a preocupação, a tristeza, a hora da partida...

Olho para essa situação e vejo quão maravilhoso é conseguir se doar e amar sem esperar nada em troca, mas ficar feliz demais por receber apenas um sorriso. Ela poderia não lembrar quem estava ali naquele momento, mas eles sabiam exatamente quem ela era e tudo que ela representava pra eles...

  
Imagem google






segunda-feira, 2 de junho de 2014

As mães da porta da escola



Em meio à correria, parei outro dia a observar as mães que se encontram todos os dias na porta da escola do meu filho.

Observei que a grande maioria sempre está com muita pressa e logo que a porta se abre todas se dirigem apressadamente até a sala de aula de seus filhos e saem de lá, com mais pressa ainda, carregando mochilas, brinquedos, jaquetas e seus pequenos pela mão. Se estiver chovendo, a coisa piora um pouquinho, pois além de tudo isso nas mãos, ainda carregam a sombrinha com a maior elegância.   

Na porta da escola do meu filho tem mães de todos os tipos, de todas as cores e de todos os tamanhos.

Algumas são conversadeiras e puxam assunto com quem estiver ao seu lado. Outras são tímidas e só falam alguma coisa se alguém lhes perguntar.

Algumas são elegantes e parecem que estão indo para alguma reunião importante de trabalho. Outras vestem aquele moletom surrado, com um coque na cabeça e sapatilha nos pés.

Algumas frequentam e vestem roupa de academia. Outras, colocam roupa de academia para  mostrar o corpo.
 
Algumas parecem que acabaram de tomar banho de tão perfumadas que são. Outras, nem tanto.   

Algumas são educadas e cumprimentam quem está ao seu lado. Outras, não cumprimentam nem as mães dos coleguinhas de seu filho.

Algumas têm corpo escultural. Outras lutam contra a balança.

Algumas chegam dirigindo carrões. Outras,  carrinhos.

Algumas curtem esse momento. Outras, apenas cumprem com sua obrigação.  

Algumas gostariam de ficar em casa com o filho a tarde inteira. Outras fazem questão de deixa-los lá o dia inteiro.

Algumas saem de lá com um sorriso no rosto. Outras, com a cara amarrada.

Enfim, na porta da escola do meu filho, eu vejo mães de todos os tipos, de todas as cores e de todos os tamanhos. Mas vejo também,  filhos que esperam ansiosamente pelo exato momento de encontrá-las, simplesmente porque elas são mães e isso pra eles,  basta!


quinta-feira, 15 de maio de 2014

SUPER-HERÓIS



Quem é mãe de menino sabe que eles se encantam facilmente com super-heróis, policiais, bombeiros, ninjas e tudo mais o que está relacionado com personagens fortes, lutadores e vencedores, diga-se de passagem.
Os olhinhos chegam a brilhar quando enxergam brinquedos, roupas, acessórios e calçados dos seus personagens favoritos.  As brincadeiras sempre acabam envolvendo algum deles e passamos a conviver naturalmente com saltos acrobáticos, socos e caídas extraordinárias, mas o mais legal de tudo é que eu presencio diariamente cenas dignas de filme de hollywood. A imaginação de uma criança é algo extraordinário, fantástico, natural e belíssima de ser apreciada.
Aqui em casa eu cruzo com super-heróis diariamente pelos quatro cantos da casa e, ás vezes, até piso em algum deles sem querer, são tantos bonecos, máscaras e roupas que eles já fazem parte da minha família.
Já tive a honra de tomar café da manhã com o Homem-Aranha e preparar para ele aquele misto-quente especial, já almocei com o Homem de Ferro em meio a muita tecnologia, já fui passear pelo shopping com o Incrível Hulk e tive que dar colinho pra ele porque estava com medo do papai noel, já  jantei com o Super-Homem e tive que comer toda a kriptonita (brócolis) dele para ele não morrer  e também já tive que acalmar o Capitão América que teve um pesadelo no meio da noite e não conseguia voltar a dormir.   
Observando o dia-a-dia do meu pequeno nesses 4 anos,  pude constatar tantas coisas e acabei descobrindo que muitas vezes,  ele se parece muito com seus personagens favoritos.  
Por vezes ele se parece com o Homem Aranha devido as suas grandes habilidades acrobáticas, chego a ficar assustada com tantos giros, braços abertos, cabeça pra baixo e pernas pra cima. O medo de se machucar é zero e a noção de perigo é -1.
Outras vezes, ele se assemelha ao Super Homem, parece que tem visão de raio x, enxerga cada coisa que pra mim passa tão despercebido, desde pequenos desenhos em placas e outdoors, até insetos minúsculos que ele vê pela rua. Tudo chama sua atenção, mesmo as coisas mais simples, minúsculas e monocromáticas.
Em outras ocasiões ele se parece muito com o Homem de Ferro, mostra-se muito inteligente, domina facilmente toda a tecnologia que se apresenta a ele sem muitas explicações. E aquilo que ele não sabe, bastam apenas alguns minutos entretido para dominar o assunto e se apoderar do novo brinquedo. Que orgulho!
Mas, já cruzei por aqui também com o Incrível Hulk, quando ele tem seus acessos de raiva e quando brincamos de lutinha, seus socos e pontapés são doloridos e certeiros. É preciso ter muita atenção com as brincadeiras, se não, certamente sairei dali com alguns hematomas.
O Capitão América também dá o ar da graça aqui em casa, de vez em quando, meu pequeno se mostra um verdadeiro guerreiro ao enfrentar com maestria qualquer dor, qualquer pancada, qualquer doença que aparece em sua frente, habilidade essa adquirida com certeza depois de enfrentar por 10 dias uma UTI Neonatal.
O meu super-herói não está nas histórias em quadrinhos, não está à venda em nenhuma loja, não participa de filmes hollywoodianos, mas tem super poderes.  O meu Super Filho  tem o poder de me alegrar, de me acalmar, de me derreter, de me emocionar, de me chantagear, de me amar, de me fazer a mãe mais feliz do mundo. Amo, amo, amo sem medida!!!



segunda-feira, 5 de maio de 2014

COISAS QUE EU APRENDI DEPOIS DO 2º FILHO


Depois que eu tive o segundo filho, eu aprendi muitas coisas novas, reforcei outras que eu já sabia e entendi tantas outras que me contaram.  Depois do 2º filho eu descobri que:

1.        O amor de mãe não se divide, mas se multiplica de uma forma inexplicável.
2.        O meu tempo que já era curto, diminuiu muito mais.
3.        Sair de casa e passar o final de semana viajando, dá um trabalhão pra conseguir colocar tudo na mala e depois no carro.
4.        Ficar em casa, o final de semana inteirinho, é um ótimo programa em família.
5.        Tenho a sensação de que nunca mais vou dormir uma noite inteirinha, daquelas de deitar as 22:00hs e só acordar as 10hs do dia seguinte.   
6.        Ter uma babá de vez em quando, pode não ser um luxo ou um capricho, mas uma necessidade.
7.        Deixar as crianças, às vezes,  na casa da vovó nunca foi tão necessário.
8.        Ir ao supermercado com os dois é ter que sair de casa com uma dose extra de paciência.
9.        Ler um livro inteirinho é quase uma Missão Impossível.
10.     Aprender a fazer uma escova, passar a chapinha, fazer cachinhos no cabelo sozinha é algo importantíssimo.  
11.     Antes eu levava somente 40min para sair de casa, agora levo em torno de 1 hora e 30min, com certeza.
12.     O meu corpo insiste em ser mais arredondado, mais caído e mais murcho, se isso ainda é possível.
13.     Ciúme de irmãos existe, por mais que você dê atenção aos dois.
14.     Seria tão bom,  se eu pudesse me dividir em duas e estar em dois lugares ao mesmo tempo, de vez em quando.
15.     O silêncio é algo que eu sei que existe, mas faz tempo que não cruzo com ele em minha casa.
16.     Minha imaginação é algo muito fértil, pois já contei tantas estórias que daria para escrever um livro.
17.     Cafungar num cangote com aquele cheirinho de bebê já era bom, agora em dois, é bom demais.

18.     Receber carinho, amor e atenção em dobro, não há dinheiro nesse mundo que pague.

Me sinto tão realizada com a maternidade, com as coisas que eu descubro todos os dias e com tantas outras que ainda descobrirei. A estrada é longa, cansativa, mas muito gratificante. Amo ser mãe!




terça-feira, 29 de abril de 2014

A escola chamada MATERNIDADE



Quando nos tornamos mães de primeira viagem, tudo nos encanta e tudo nos parece assustador ao mesmo tempo, por isso, damos ouvidos a tudo o que nos falam, prestamos a maior atenção nas receitas que cada mãe tem na hora que aparece a primeira cólica, a febre, a dor de ouvido, a dor de garganta e por aí vai.

Somos “expert” em saber, na teoria, o que fazer se o peito rachar, se a estria aparecer, se o leite não descer, se o cansaço nos pegar. Sabemos também, inúmeras técnicas para desmamar nossas crias, para fazer o desfralde, para tirar a chupeta, para dormir sem fralda, etc.

Aí, você ganha seu bebezinho e percebe que na prática é tudo muito diferente, cada filho tem seu tempo, seu jeito, seu temperamento e a receita “infalível” que serviu para a minha amiga, não deu certo comigo. Então, o que fazer? Se desesperar, chorar, apelar para a mãe, para a sogra, para o google? 

Que bom seria se pudéssemos contar com as avós em todo o tempo, principalmente nas madrugadas e se encontrássemos todas as respostas, para todas as nossas dúvidas. Mas está aí, o maior barato da maternidade, nessas horas, você é capaz de aflorar  instintos que estavam adormecidos que você nem sabia que tinha e, sem se dar conta, já criou uma nova receita, um novo jeito, uma nova técnica.  E um belo dia, com as voltas que o mundo dá, lá está você, no meio de outras mães compartilhando suas experiências e suas receitas "infalíveis".   

Eu aprendi que na escola chamada MATERNIDADE, entramos como simples alunos, que ora aprende, ora ensina, ora se desespera. Vamos nos graduando,  à medida que nossos filhos crescem e o tempo passa. Por vezes, achamos que até já possuímos o título de ESPECIALISTAS EM FILHOS e por outras,  percebemos que continuamos a ser apenas ALUNOS.

A maternidade é uma escola onde nunca alcançaremos o título de mestre, de doutor ou de PHD, porque conviver com nossos filhos é ter a absoluta certeza que nunca vamos parar de aprender. Amo ser mãe, amo ensinar, mas amo ainda mais, aprender com meus filhos!





terça-feira, 22 de abril de 2014

Intrusos na minha casa, socorro!!!



Andando pela casa outro dia, tropecei num sapato de salto alto que não era meu. Olho bem para aquele par de sapatos e pergunto: o que vocês estão fazendo aqui na minha casa, seus intrusos?
Bato o olho em cima da cama da minha filha e vejo um vestido de festa com bojo e tudo e novamente pergunto: o que você está fazendo aqui, seu intruso?
Viro a cabeça para o lado e em cima de sua cômoda não há mais bonecas, ursinhos e brinquedos coloridos, mas agora vejo batons, rímel, base, sombras, perfumes e muitos pincéis. Mais uma vez pergunto: como vocês entraram aqui, seus intrusos metidos?
Abro seu guarda-roupa e levo mais um susto daqueles, cadê os conjuntinhos, as galochas e as mochilas coloridas?
Um dia alguém me avisou que os filhos crescem num piscar de olhos, mas eu não sabia que era algo tão rápido. Outro dia eu a segurava nos braços, amamentava, ninava, levava ela para todos os lugares que eu ia. Hoje ela já quer ficar em casa sozinha.
Aquele corpinho tão pequeno e frágil, hoje, já está maior do que o meu. Tenho que dar bronca olhando diretamente nos seus olhos, recebo abraços apertados, mas não mais beijos estalados. Andar de mãos dadas, que era algo tão natural entre nós, passou a ser considerado  “mico”.
Aquela bebezinha agora quer pintar o cabelo, fazer as unhas, se depilar. Não usa mais talquinho, mas desodorante e perfume.
Ainda me assusto com meus filhos crescidos. 
Uma verdadeira metamorfose está acontecendo na minha casa e eu, me surpreendo a cada dia com a essa borboleta linda que está se revelando.  
 Ter filhos é uma das melhores coisas da vida. Não podia imaginar que era algo tão rico assim. Muitas vezes, eu tenho a nítida sensação de que eu mais aprendo do que ensino.   É algo mágico, incrível e sensacional ver seus filhos crescerem e eles crescem não somente no tamanho, mas na personalidade, nas manias, nas opiniões e na teimosia com a mesma velocidade.

Sei que ainda encontrarei muitos “ intrusos” dentro dessa casa, mas quero acreditar que com o passar do tempo eu vou me acostumar com cada um deles, ou pelo menos, vou me esforçar, eu prometo.

Imagem Google



sábado, 12 de abril de 2014

Cansaço x sono


Quem é mãe sabe que um dia o cansaço chega, por mais que a gente se prepare para esse momento e durma horrores antes do parto.  Ele vem de forma gradual, mas quando chega, meu Deus, gruda e demora muito pra ir embora.
Ando muito cansada,  parece que 24 hs nunca são suficientes para que eu consiga fazer tudo o que planejei anteriormente.
Tem dias que chego em casa com uma vontade gigantesca de me jogar na cama, com roupa e tudo e dormir até o outro dia, sem ter que me  preocupar com a janta das crianças, com o banho, com as tarefas, com as provas, com o uniforme limpo e por aí vai, a lista é interminável.  
Tem dias que tenho que lutar bravamente para que meus olhos fiquem abertos enquanto assisto por alguns instantes meu pequeno jogar Wii ou quando sentamos no sofá para ver algum desenho, se apagassem a luz eu era capaz de dormir ali mesmo.  Reúno forças para  dar conta de tudo antes que o dia acabe além, de ajudar minha filha mais velha com aquilo que ela precisar, porque cada filho tem suas necessidades, suas carências, suas dificuldades que a gente tem que aprender a suprir, não importa a hora ou  o lugar.
Aí, tarde da noite, depois de já ter mandado eles pra cama umas 30 vezes, dar água pra um, sucrilhos pro outro, contar uma história, dar 10 beijos de boa noite, fazer uma oração, escovar os dentes de novo porque resolveram comer alguma coisa antes de dormir,  você consegue arrebanhar sua prole e finalmente colocá-los na cama, seus olhos se recuperam e você perde o sono. O cansaço ainda está ali, mas cadê o sono?
Deita na cama, apaga a luz, conversa um pouco com o maridão, que também está cansado e logo pega no sono, rola pra lá, rola pra cá e nada do sono aparecer. Começa a pensar em todas as coisas que tem que fazer amanhã e quando olha no celular  já são 2hs da madrugada, você para, pensa e tem vontade de gritar: sono cadê você, eu deitei aqui só pra  te ver!
E agora, o que fazer? Levanto de novo, faço a “ronda” – passando em cada quarto, observando se estão cobertos, suados, se tem mosquito e volto pra cama. Agora o cansaço está de moer, tento não pensar em nada, mas é quase impossível, o silêncio é propício para fazer tantas coisas, mas resisto e fico ali, lutando para conseguir dormir, até que finalmente adormeço e quando me dou conta, o celular já despertou, o dia já amanheceu novamente e parece que eu acabei de fechar os olhos.  Seria tão bom se nós tivéssemos um carregador de baterias, de longa duração, diga-se de passagem, para que ficássemos 100% carregadas o dia inteiro...
     Pensamentos vão, pensamentos vêm, e eu, depois que me tornei mãe cheguei à conclusão que, com a maternidade somos muito mais felizes, mais realizadas, mais experientes, mais dinâmicas, mais rápidas, mais amigas e muito mais cansadas...rsrsrs





terça-feira, 1 de abril de 2014

Diferenças que unem...


Muitas vezes já me perguntei:  como pode duas crianças nascerem da mesma mãe e do mesmo pai e serem tão diferentes?
Eu vejo diariamente nos meus filhos suas personalidades, suas particularidades e suas atitudes sendo aperfeiçoadas em cada situação. Por vezes, enxergo neles dois extremos, é como se fosse a água e o vinho de tão diferentes que são, mas por muitas vezes, os vejo tão parecidos também.
Ela é tagarela, fala pelos cotovelos e conta tudo em detalhes. Ele fala bem menos, só o necessário, sem muitas explicações.
Ela é mais medrosa, tem medo de passar em ponte, tem medo de insetos, tem medo de altura, tem medo do novo. Ele é destemido, adora uma aventura, sobe e desce de qualquer lugar, acha o máximo encontrar bichos estranhos e tem certeza que tem poderes iguais aos super-heróis.
Ela é mais sensível, dengosa e adora um beijo. Ele é mais enérgico, chora mais e não gosta de ser beijado, só gosta de beijar.  
Ela acorda em câmera lenta, demora até pra tomar o café, está sempre zumbizando pela casa de pijamas (no final de semana, é claro). Ele acorda a mil por hora, já quer logo achar algo para fazer, se deixar, não toma nem café.
Cada um tem as suas particularidades na hora de comer. Ela adora comida com molho. Ele detesta.
Ela ama ler seus livros, tem coleções deles em seu quarto. Ele não tem paciência nem de esperar a história acabar, já vai logo querendo chegar na última página.
Ela não demonstra com facilidade seus sentimentos. Ele se declara todos os dias.
Ela tem paciência para montar quebra-cabeças, recortar, colar e criar. Ele prefere destruir tudo o que ela fez.
Ela é obediente e ele também.
Ela fala alto. Ele fala mais alto ainda.
Ela se esforça para brincar com ele. Ele se esforça para estragar a brincadeira.
Ela adora praia e piscina. Ele adora tudo o que se refere à água, inclusive um simples banho de chuveiro.
Ela dorme tarde e acorda cedo. Ele dorme tarde e acorda mais tarde ainda.
Os dois são inteligentes e espertos e se amam incondicionalmente.
Consigo enxergar claramente que um desperta no outro o novo, o diferente, o possível e juntos eles vencem seus medos, seus desafios, suas dificuldades de uma forma tão natural e imperceptível para eles... Só pra eles!








segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Mãe de prematuro…


  
Hoje assistindo um programa na tv que falava sobre bebês prematuros, fiquei emocionada e minha mente viajou novamente para aqueles dias em que passei em uma UTI Neonatal ao lado do meu “pequeno” guerreiro. Como são fortes estas lembranças, acho que não esquecerei jamais...aliás nem quero mesmo...

Nestes 10 dias em que minha vida se viu de cabeça para baixo, posso dizer, com certeza, que o dia mais difícil foi o dia do parto onde eu  não tive o grande prazer de  segurar meu filho nos meus braços. Ah..  como eu esperei por esse momento!

Ter que voltar pra casa sozinha,  sem minha barriga e sem meu bebê não foi tarefa fácil, não é pra qualquer uma, tem que ser muito forte e  ter muita fé...

Sentimentos opostos são constantes e contínuos na vida de uma mãe de prematuro. Os dias não passam, as horas se arrastam e os sentimentos ficam à flor da pele. Você chora por qualquer coisa, assistindo TV, observando um pássaro, cheirando uma flor. A vida parece que perdeu as cores, o sentido, a razão, tudo ficou cinza de repente, sem direito a qualquer aviso.

 Você olha aquele serzinho tão frágil, tão esperado, tão amado e já não agüenta mais vê-lo ali, cercado de tantos aparelhos, tantas enfermeiras, tantos bips. É oxigênio, é sonda, é incubadora, é luz, é medidor de saturação e muito mais.

Dá uma vontade enorme  de colocar aquele  tip-top que você comprou pra ele usar logo no primeiro dia, mas você olha bem e percebe que vai demorar algum tempo até ele caber lá dentro. Uma fralda RN consegue ficar enorme naquele corpinho tão pequenininho, tão magrinho, tão enrrugadinho ainda.

O Banco de Leite do hospital é o ponto de encontro das mamães, lá consolamos umas às outras e garantimos o leite de cada dia para nossos pequenos guerreiros.

Ao mesmo tempo em que você quer que tudo aquilo acabe, que todos possam  ir pra casa o quanto antes, você tem medo e receio de não saber cuidar dele como as enfermeiras fazem com tanta destreza.

Ser mãe de prematuro é conviver diariamente com o novo, com o desconhecido, com o medo, com a insegurança, com a incerteza; por vezes, temos medo do vento, da chuva, do frio... Outras vezes é conviver  com a certeza, com a superação, com a dedicação e com a fé. São sentimentos que se misturam, se fundem e nos fortalecem a cada dia.

É um universo gigantesco e tão pequeno ao mesmo tempo. Tudo parece tão frágil, tão pequeno, tão vulnerável. Cada dia é uma vitória, cada aparelho que vai sendo desligado é uma conquista, cada ml de leite que é tomado é um avanço, cada grama engordada um suspiro de alívio.

Estar ali, naquele lugar cheio de “pequenos guerreiros”, cheio de aparelhos, cheio de gente, cheio de amor e cheio de fé, não é para qualquer um. Poder  ouvir as mais lindas histórias, sentir os mais sinceros sentimentos, ver a verdadeira doação,  presenciar pequenas vitórias diárias e a superação diária de mães e filhos, é um privilégio.

Ser mãe de prematuro é perceber que “pequenos bebês” nos ensinam as maiores lições!