quarta-feira, 15 de abril de 2015

Intrusos na minha casa...



Andando pela casa outro dia, tropecei num sapato de salto alto que não era meu. Olho bem para aquele par de sapatos e pergunto: o que vocês estão fazendo aqui na minha casa, seus intrusos?

Bato o olho em cima da cama da minha filha e vejo um vestido de festa com bojo e tudo e novamente pergunto: o que você está fazendo aqui, seu intruso?

Viro a cabeça para o lado e em cima de sua cômoda não há mais bonecas, ursinhos e brinquedos coloridos, mas agora vejo batons, rímel, base, sombras, perfumes e muitos pincéis. Mais uma vez pergunto: como vocês entraram aqui? Seus intrusos metidos.

Abro seu guarda-roupa e levo mais um susto daqueles, cadê os conjuntinhos, as galochas e as mochilas coloridas?

Um dia alguém me avisou que os filhos crescem num piscar de olhos, mas eu não sabia que era algo tão rápido. Outro dia eu a segurava nos braços, amamentava, ninava, levava ela para todos os lugares que eu ia. Hoje ela já quer ficar em casa sozinha.

Aquele corpinho tão pequeno e frágil, hoje, já está maior do que o meu. Tenho que dar bronca olhando diretamente nos seus olhos, recebo abraços apertados, mas não mais beijos estalados. Andar de mãos dadas, que era algo tão natural entre nós, passou a ser considerado  “mico”.

Aquela bebezinha agora quer pintar o cabelo, fazer as unhas, se depilar. Não usa mais talquinho, mas desodorante, maquiagem e perfume.

Ainda me assusto com meus filhos crescidos! Uma verdadeira metamorfose está acontecendo na minha casa e eu, me surpreendo a cada dia com a essa borboleta linda que está se revelando.

 Ter filhos é uma das melhores coisas da vida. Não podia imaginar que era algo tão rico assim. Muitas vezes, eu tenho a nítida sensação de que eu mais aprendo do que ensino.  

 É algo mágico, incrível e sensacional ver nossos filhos crescerem, e eles crescem não somente no tamanho, mas na personalidade, nas manias, nas opiniões e na teimosia com a mesma velocidade.


Sei que ainda encontrarei muitos “ intrusos” dentro dessa casa, mas quero acreditar que com o passar do tempo eu vou me acostumar com cada um deles, ou pelo menos, vou me esforçar, eu prometo! 


quarta-feira, 4 de março de 2015

Esposa, mãe e dona de casa. Com muito orgulho!


Já parei para pensar muitas vezes, se realmente fiz a escolha certa: ser esposa, mãe e dona de casa  em tempo integral, volta e meia esse pensamento rondava minha mente.

 Já pensei inúmeras vezes, como seria bom ter a minha independência financeira, ter uma profissão, carteira assinada, ser uma profissional de sucesso.

 Já pensei em estudar inglês, fazer mestrado, ter uma ajudante na minha casa e assim, ter tempo para fazer tantas coisas que eu gosto.

Já quis andar de salto alto o dia inteiro, carregando uma bolsa lindíssima a tiracolo e ter um telefone que não para de tocar.

Já quis ter alguém para fazer as compras do supermercado pra mim, ou que pelo menos, que me entregasse uma listinha com as coisas que estavam faltando.  Já quis receber café na cama de manhã, numa bandeja de prata e com pãezinhos de queijo quentinhos e flores fresquinhas.

Já quis dormir toda maquiada e com cabelo arrumado, só para acordar no outro dia como as atrizes da televisão. Já quis conhecer todos os continentes.

 Pois bem, já quis tantas coisas, que nem me lembro de todas elas, muitas se perderam pelo caminho, afinal de contas, já faz 13 anos que eu decidi cuidar da casa e da minha família em tempo integral e acho que faço isso muito bem, obrigada. Sinto-me realizada naquilo que faço, nasci para ser mãe.  

Apesar de não receber salário pelo meu trabalho, recebo o melhor e mais alto pagamento que alguém poderia me dar, o sorriso, os olhares e a gratidão deles todos os dias.  Não tenho carteira assinada, mas tenho inúmeras cartinhas e bilhetinhos de amor que guardo como se fossem verdadeiros tesouros.

Nunca consegui tempo e dinheiro para estudar inglês, afinal isso nunca foi uma prioridade, mas consigo falar e entender uma língua que só eu e meus filhos conhecemos, decifro tudo rapidinho.  Sou mestre na arte da paciência e da tolerância. Já tive alguém para me ajudar com as coisas da casa, mas percebi que consigo dar conta de tudo, sou praticamente uma mulher polvo.

O salto alto eu uso ocasionalmente, pois tive que trocá-los por sapatilhas, tênis e rasteirinhas, e como consequência, descobri que existem calçados super confortáveis.  Na minha bolsa, que não é tão lindíssima assim, sempre tem espaço para carregar lenço umedecido e comida. Meu telefone não toca tanto, mas carrega dentro dele registros que marcam nosso dia a dia regado de muito amor.  

Não tenho ninguém para fazer as compras do supermercado pra mim, em compensação, tenho companhia sempre e uma lista falante. Já recebi café da manhã numa bandeja de madeira,  com pão,  manteiga e café quentinhos preparado pelas mais lindas e delicadas mãos que conheço.

No meu dia a dia nunca estou impecável como as atrizes da televisão, meus cabelos geralmente estão presos, meu rosto está sem maquiagem e minhas roupas são super confortáveis para dar conta de tudo. Meu corpo que insiste em ser mais arredondado, mais murcho e caído, não me impede de receber os mais sinceros elogios, todos os dias eles me dizem que sou linda, e eu acredito.  

 Com eles eu já fiz as mais lindas e loucas viagens, já visitei castelos de bruxas e princesas, fui pro espaço sideral, enfrentei leões e tigres na floresta, conheci todos os super-heróis  e seus super poderes, já fui pra lua, peguei estrelas nas mãos, naveguei pelos 7 mares, conheci príncipes com seus cavalos brancos.

 Através da minha escolha pude presenciar cada fase da vida dos meus filhos e viver momentos que são impagáveis.  Aprendi tanta coisa, me redescobri. Eu que queria ter apenas uma profissão, descobri que tenho vocação pra tanta coisa, sou mãe, dona de casa, médica, professora, cozinheira, cabeleireira, palhaça, psicóloga, enfermeira, atriz...

Me realizo todos os dias acompanhando o desenvolvimento de cada um dos meus filhos e percebendo que a felicidade está nas coisas simples da vida. Como descrever cada conquista, cada avanço, cada etapa vencida? Sinto-me vitoriosa por ter feito essa escolha  e posso dizer que sou ESPOSA, MÃE E DONA DE CASA, com muito orgulho!




sábado, 21 de fevereiro de 2015

Cama compartilhada




Aqui em casa a nossa cama virou uma tremenda bagunça desde que nossos filhos nasceram, ou seja, há exatos 13 anos, mas o negócio ficou punk mesmo,  há quatro anos, com a chegada do nosso segundo filho.

É impressionante como nossa cama perdeu, ao longo dos anos, a sua função principal, que era de abrigar e aconchegar dois corpos cansados que precisam de horas de descanso para se recuperar da correria do dia a dia.

Aos poucos ela foi cedendo lugar aos filhos, que aparecem por ali pelos mais variados motivos, sem aviso prévio, sem hora marcada, simplesmente chegam, se aninham e ficam.

Ali, naquela cama compartilhada, já acalmamos choros inexplicáveis, desvendamos pesadelos terríveis, espantamos o medo de trovões, dinossauros, cobras e aranhas, já lutamos ali contra a febre, a dor, o desespero...  

Ali também, já experimentamos tantas emoções, já enfrentamos tantos desafios. Já soltamos as mais lindas gargalhadas, trocamos os mais sinceros olhares, demos os mais longos beijos de boa noite, os abraços mais longos e intermináveis que já vi, inventamos cumprimentos loucos, histórias doidas e sem cabeça, falamos palavras de amor...de muito amor...

Ali, nessa mesma cama já ouvi pérolas que encheram meu coração de amor e gratidão e que fiz questão de anotar para não esquecer jamais, coisas do tipo:

 “Mãe o teu travesseiro tem um cheirinho tão gostoso, parece cheirinho de baunilha”;

 “Mãe eu gosto de dormir aqui na cama de vocês porque eu gosto de ficar dentro do ninho”;

“Eu gosto de ficar aqui porque aqui é seguro”;

“Eu não gosto de ficar sozinho na minha cama porque eu fico na solidão”...

 Ali, naquela cama compartilhada, com certeza existem muitas partículas de amor, proteção e aconchego impregnadas nos lençóis, travesseiros e cobertas. 

Ali, naquele ninho de amor não há lugar para o medo, para a  repreensão, para cobranças,  para a imposição do que é certo ou errado, vamos vivendo tudo ao seu tempo com muita paciência e muito amor. 

 Porque chegará o dia em que essa mesma cama que agora se mostra tão pequena e apertada, se revelará tão grande como a saudade que sentiremos desses dias que não voltarão mais.   





sábado, 13 de dezembro de 2014

Eu e ele...Ele e eu...



Eu sou super organizada.  Ele nem tanto.

Eu nunca deixo sapatos espalhados pela casa. Ele deixa sempre.

Eu nunca deixo a pia do banheiro molhada. Ele dá uma banho na pia todas as manhãs.

Eu aperto a pasta de dentes no meio. Ele aperta embaixo.

Meu travesseiro é mais alto. O dele, mais baixo.

Adoro dormir de meias quando está frio. Ele detesta.

Eu tenho um sono leve. Ele tem sono super pesado.

Eu falo sem pensar. Ele pensa para depois falar.

Eu fico emburrada com a maior facilidade. Ele tem o dom de me desemburrar rapidinho.

Eu choro até assistindo propaganda na TV. Ele só chora se tiver um bom motivo.

Eu sou super preguiçosa. Ele adora fazer exercícios.

Eu sou mais fria. Ele mais quente.

Eu não me declaro todos os dias. Ele me surpreende a cada manhã.

Eu não sou engraçada. Ele é super divertido.

Eu cozinho bem. Ele não cozinha nada.

Gostamos das mesmas músicas.

Nossos olhos se falam.

Nosso corpo se encaixa perfeitamente.

Eu fui feita para ele e, ele para mim.

Descobri que eu e ele somos feitos de pequenas diferenças e é por isso, que a gente se completa. 

 Te amo meu amor!!!




quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Uma amiga verdadeira...


        Estava eu pensando em escrever algo a respeito de amizade e me deparei com  um texto da Martha Medeiros que falava justamente a respeito do assunto e resolvi fazer umas adaptações e criar outras tantas para homenagear uma amiga, gostei tanto do resultado que resolvi publicar (rsrsr)

Pra que serve uma amiga? Será que ela serve somente pra jogar conversa fora, dividir a gasolina, emprestar um sapato ou uma roupa, recomendar um bom livro, dar uma carona, caminhar no shopping, segurar a barra, dar conselhos, trocar mensagens, ouvir nossa história, saber tudo a nosso respeito e enxergar as nossas qualidades? Não, não, não...

Uma amiga verdadeira não joga conversa fora, joga limpo, solta o verbo, te abre os olhos.

Uma amiga verdadeira não divide apenas a gasolina. Divide lembranças, crises de choro, experiências e segredos.

Uma amiga verdadeira não empresta apenas uma sapato ou uma roupa. Empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o lenço.

Uma amiga verdadeira não recomenda apenas um bom livro. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda novos desafios.

 Uma amiga verdadeira não dá carona apenas pra festa. Te leva pra onde ela for, corta caminhos, atravessa a cidade.

Uma amiga verdadeira não caminha contigo  apenas no shopping. Anda contigo na hora da dor, entra na guerra se preciso for.

Uma amiga verdadeira não segura apenas a barra. Segura a mão,  segura uma confissão, segura o tranco.

Uma amiga verdadeira não troca somente mensagens. Troca experiências, conselhos,  receitas e dietas.

Uma amiga verdadeira não ouve somente a sua história. Ouve a história da sua família inteira quantas vezes for preciso.

Uma amiga verdadeira não enxerga somente suas qualidades. Ela enxerga seus defeitos e suas limitações e te ajuda a superá-los.

Uma amiga verdadeira é aquele que sabe tudo a seu respeito e, mesmo assim, ainda continua gostando de você do jeitinho que você é.


Ter uma amiga assim é uma dádiva de Deus e eu tenho!!!




quinta-feira, 25 de setembro de 2014

MINHA “PEQUENA” GRANDE LEITORA

Muitas crianças gostam de ouvir histórias e esse é um hábito que carrego comigo desde que meus filhos nasceram. Gosto de contar histórias de um livro ou as que eu mesma invento, com muita criatividade, é claro.

Diante de cada situação, vou inventando coisas e colocando minha imaginação pra funcionar. Uso elas a meu favor quando meus filhos não querem escovar os dentes, não querem comer, não obedecem e por aí vai, sempre tem algum personagem que já passou por isso. Aproveito cada oportunidade e as crianças param imediatamente para ouvir cada palavra. Bingo!

Com o passar do tempo, percebo que a maioria das crianças vai perdendo o interesse pela leitura e os livros já não são mais tão requisitados assim.  Mas, existem aquelas que se apaixonam por livros de uma forma tão intensa que é lindo de presenciar.  

Aqui em casa eu tenho uma “pequena” grande leitora que desde muito cedo, se apaixonou pelos livros. Ela ama livros, livros feitos de papel, com folhas, páginas, capa, cheiro, que enfeitam suas prateleiras num colorido admirável. Ela não gosta de ler livros no computador ou no tablet, o encantamento está no folhear de cada página.

Eu detectei seu gosto pela leitura desde muito cedo e percebo em suas pequenas atitudes que isso só aumenta a cada dia:


1. Sempre que entramos em uma livraria, seus olhos brilham e ela logo vai separando uma pilha de livros que gostaria de comprar. Algo assim, em torno de 10, 15 livros e fica triste quando vou ao caixa e compro apenas alguns.


2. Ela sempre tem à mão uma lista com os próximos títulos que quer ler, caso alguém queria dar um presente, ela prontamente dá suas sugestões.


3. Em qualquer data comemorativa, ela quer ganhar livros e fora delas também.


4. Seu quarto é decorado com prateleiras de livros de todos os tamanhos e cores. Um verdadeiro arco-íris, coisa linda de se ver.  


5. Ela gosta de fazer coleções, vai comprando os livros conforme vão sendo lançados e arruma todos eles, juntinhos, em ordem, um capricho.


6. Ela não gosta de emprestar nenhum livro, mas quando empresta (coisa rara de acontecer), fica nervosa e apreensiva enquanto o livro não volta. Assim que ele chega, ela analisa se está tudo em ordem.


7. Na hora de praticar o desapego, ela se desfaz rapidamente de roupas, sapatos e brinquedos, mas dos seus livros, nem pensar, a luta é grande. Cada livro que ela ganhou representa uma época em sua vida, ela argumenta. Quer guardar TODOS os seus livros para os seus filhos. Onde encontrarei espaço para tudo isso?


8. Alguns livrinhos bem infantis, ela repassou para seu irmãozinho, e vejo sua tristeza ao ver os livros com páginas rasgadas, mordidas e alguns até sem capa.


9. Quando vamos passear em outros lugares, ela sempre procura livrarias para visitar e quando encontra, a parada é obrigatória.


10. Ao lado de sua cama sempre tem um livro com um marcador de páginas dentro, às vezes dois ou três e muitas vezes eu me pergunto: como ela consegue ler mais de 1 livro ao mesmo tempo? Será que as histórias não se confundem? Diz ela, que não.


11. Fica feliz da vida quando algum livro que já leu vira filme. Quer assistir todos, só pra conferir qual foi a parte do livro que eles cortaram e sempre chega a conclusão,  que ler o livro foi muito melhor. 

 

Percebo que com a prática da leitura ela raciocina rápido, aprende as coisas num piscar de olhos, se expressa muito bem e escreve maravilhosamente.

Ter um filho leitor desde a mais tenra idade é motivo de orgulho máximo. Fico tão feliz ao vê-la devorando seus livros, compartilhando comigo as coisas que lê, tirando suas próprias conclusões a respeito de determinado assunto e se apaixonando por escritores que eu nem sabia que existiam.  Ahhh...como me orgulho dessa minha “pequena” grande leitora!






segunda-feira, 25 de agosto de 2014

O amor chegou de mansinho...


  
Um dia, alguém cruzou meu caminho. Nossos olhares se cruzaram intensamente e eu  poderia descrever com detalhes aquele momento mágico. Senti uma vontade imensa de conhecê-lo.

Depois de algumas conversas, percebi  que estar ao lado dele era o melhor lugar do mundo.  Gostei das nossas risadas, das piadas, do jeito como ele mexia nos cabelos, como se vestia, como falava e principalmente como me olhava. Admirei sua inteligência, sua desenvoltura, seus galanteios.

 E, aquilo que a princípio era apenas uma amizade, começou a evoluir para algo mais forte, mais intenso e mais incrível.   De repente, notei que pensava nele em vários momentos do meu dia, sentia falta da sua presença, do seu jeito, do seu cheiro. Comecei a perceber que algo estranho estava acontecendo, afinal minha mente só conseguia pensar em uma coisa: nele!

Descobri ainda na minha adolescência, o amor! Não "qualquer"  amor, mas um amor verdadeiro, puro, sincero. E esse amor que nasceu com tanta naturalidade entre nós, mas com uma rapidez assustadora, foi capaz de unir duas vidas e dois corações,  através do casamento.  Algo que parecia já ser tão forte e tão intenso, a partir daí, começou a evoluir de verdade.

Com o passar do tempo descobri que, nem tudo o que se fala a respeito do casamento é verdadeiro, nem todas as receitas infalíveis dão certo e a opinião de algumas pessoas nem sempre deve ser levada em consideração.

Com a convivência aprendi a ser mais maleável, mais tolerante, mais amiga, mais companheira e o amor começou a se tornar à prova de dificuldades.

Passei a compartilhar meus sonhos e passei a amar os sonhos que não são exatamente os meus, mas são dele.

 Descobri que eu era capaz de ter outros amores, que em meu coração havia lugar suficiente para os nossos filhos. Passamos a viver momentos novos, emoções novas e muitas mudanças, algumas assustadoras, mas  o nosso amor se mostrou cada vez mais forte.

Ventos contrários sopraram, balançaram nosso casamento diversas vezes, mas ele não caiu, porque foi construído sobre a rocha.

Com o passar dos anos, eu percebo que esse amor só cresce e que se torna cada vez mais intenso, mais forte e mais incrível.  Como pode isso? Estar casada  há quase 17 anos e ainda amá-lo de uma forma tão pura, tão sincera, tão intensa e tão verdadeira?

Sabe, depois de tanto tempo posso dizer com todas as letras o que faz nosso amor durar, se renovar, crescer e se fortalecer todos os dias...o nosso relacionamento é cercado de muita admiração, paciência, respeito, diálogo, carinho, amor, choros, risos, gargalhadas, nossa música, nossos filhos, ótimas lembranças, sonhos que ainda realizaremos, desejos, certezas, dúvidas, expectativas, tentativas, frustrações, recomeços... 

Quando  olho para trás, enxergo tanta coisa boa, tantas realizações, tantas descobertas que posso encher o peito e dizer: valeu a pena cada momento ao seu lado meu amor, eu faria tudo de novo se preciso fosse.


Ahhh...como eu amo te amar!!!


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Esposa, mãe e dona de casa. Com muito orgulho!


Já parei para pensar muitas vezes, se realmente fiz a escolha certa: ser esposa, mãe e dona de casa  em tempo integral, volta e meia esse pensamento rondava minha mente.

 Já pensei inúmeras vezes, como seria bom ter a minha independência financeira, ter uma profissão, carteira assinada, ser uma profissional de sucesso.

 Já pensei em estudar inglês, fazer mestrado, ter uma ajudante na minha casa e assim, ter tempo para fazer tantas coisas que eu gosto.

Já quis andar de salto alto o dia inteiro, carregando uma bolsa lindíssima a tiracolo e ter um telefone que não para de tocar.

Já quis ter alguém para fazer as compras do supermercado pra mim, ou que pelo menos, que me entregasse uma listinha com as coisas que estavam faltando.  Já quis receber café na cama de manhã, numa bandeja de prata e com pãezinhos de queijo quentinhos e flores fresquinhas.

Já quis dormir toda maquiada e com cabelo arrumado, só para acordar no outro dia como as atrizes da televisão. Já quis conhecer todos os continentes.

 Pois bem, já quis tantas coisas, que nem me lembro de todas elas, muitas se perderam pelo caminho, afinal de contas, já faz 13 anos que eu decidi cuidar da casa e da minha família em tempo integral e acho que faço isso muito bem, obrigada. Sinto-me realizada naquilo que faço, nasci para ser mãe.  

Apesar de não receber salário pelo meu trabalho, recebo o melhor e mais alto pagamento que alguém poderia me dar, o sorriso, os olhares e a gratidão deles todos os dias.  Não tenho carteira assinada, mas tenho inúmeras cartinhas e bilhetinhos de amor que guardo como se fossem verdadeiros tesouros.

Nunca consegui tempo e dinheiro para estudar inglês, afinal isso nunca foi uma prioridade, mas consigo falar e entender uma língua que só eu e meus filhos conhecemos, decifro tudo rapidinho.  Sou mestre na arte da paciência e da tolerância. Já tive alguém para me ajudar com as coisas da casa, mas percebi que consigo dar conta de tudo, sou praticamente uma mulher polvo.

O salto alto eu uso ocasionalmente, pois tive que trocá-los por sapatilhas, tênis e rasteirinhas, e como consequência, descobri que existem calçados super confortáveis.  Na minha bolsa, que não é tão lindíssima assim, sempre tem espaço para carregar lenço umedecido e comida. Meu telefone não toca tanto, mas carrega dentro dele registros que marcam nosso dia a dia regado de muito amor.  

Não tenho ninguém para fazer as compras do supermercado pra mim, em compensação, tenho companhia sempre e uma lista falante. Já recebi café da manhã numa bandeja de madeira,  com pão,  manteiga e café quentinhos preparado pelas mais lindas e delicadas mãos que conheço.

No meu dia a dia nunca estou impecável como as atrizes da televisão, meus cabelos geralmente estão presos, meu rosto está sem maquiagem e minhas roupas são super confortáveis para dar conta de tudo. Meu corpo que insiste em ser mais arredondado, mais murcho e caído, não me impede de receber os mais sinceros elogios, todos os dias eles me dizem que sou linda, e eu acredito.   Com eles eu já fiz as mais lindas e loucas viagens, já visitei castelos de bruxas e princesas, fui pro espaço sideral, enfrentei leões e tigres na floresta, conheci todos os super-heróis  e seus super poderes, já fui pra lua, peguei estrelas nas mãos, naveguei pelos 7 mares, conheci príncipes com seus cavalos brancos.

 Através da minha escolha pude presenciar cada fase da vida dos meus filhos e viver momentos que são impagáveis.  Aprendi tanta coisa, me redescobri. Eu que queria ter apenas uma profissão, descobri que tenho vocação pra tanta coisa, sou mãe, dona de casa, médica, professora, cozinheira, cabeleireira, palhaça, psicóloga, enfermeira, atriz...

Me realizo todos os dias acompanhando o desenvolvimento de cada um dos meus filhos e percebendo que a felicidade está nas coisas simples da vida. Como descrever cada conquista, cada avanço, cada etapa vencida? Sinto-me vitoriosa por ter feito essa escolha  e posso dizer que sou ESPOSA, MÃE E DONA DE CASA, com muito orgulho!




segunda-feira, 30 de junho de 2014

Não quero esquecer jamais...



Depois que me tornei mãe passei a ser uma pessoa muito mais observadora. Observo pessoas, movimentos, olhares e atitudes.

Existem coisas que capto com meu olhar, que eu gostaria que ficassem registradas pra sempre em minha memória. Meu dia a dia com meus filhos, apesar da correria que é me leva a querer registrar cada segundo ao lado deles. São tantos momentos de doçura, de verdade, de amor, de alegria, de satisfação,  de felicidade!

 Como eu gostaria que meus olhos fossem uma máquina fotográfica para que eu pudesse clicar imediatamente esses momentos. Tenho tanto medo dessas memórias se perderem com o passar do tempo que tento desesperadamente registrar tudo e por isso, lá se vão arquivos e arquivos de fotografia.

 Mas existem momentos que são impossíveis de se registrar através de uma câmera fotográfica, eu sei e, por isso, eu procuro registrá-los em minha mente e em meu coração para que nunca se apaguem, embora o tempo vá cumprir o seu papel e levá-los pra bem longe um dia...

Não quero esquecer jamais, o cheiro dos meus filhos, se pudesse mandava envasar vidros e vidros com esse aroma que perfuma meus dias, minha roupa, meu travesseiro...

Não quero esquecer jamais, o toque da pele macia e sedosa que acaricia meu rosto, minhas mãos, meus cabelos...

Não quero esquecer jamais, a sensação de acalentar um choro que insiste em ficar, mas se rende facilmente com um abraço, um beijo e um colo bem aconchegante.

Não quero esquecer jamais, as mais lindas gargalhadas que saem tão naturalmente e são capazes de contagiar quem está perto e quem está longe.

Não quero esquecer jamais, as palavras inventadas de uma forma tão natural e linda.

Não quero esquecer jamais, o som suave de suas vozes que mais parecem música em meus ouvidos quando me dizem que me amam.

Não quero esquecer jamais, os momentos que precisei ser tão forte, quando na verdade, queria mesmo era chorar com eles.

Não quero esquecer jamais, todas as vezes que precisei encorajá-los a superar seus medos, quando eu também tive medo.

Não quero esquecer jamais, todas as vezes que eu não sabia o que dizer, mas o nosso abraço falou mais alto.

Não quero esquecer jamais, todas as vezes que fui consolada, cuidada e paparicada por eles.


Enfim, se alguém um dia inventar algo que possa capturar tudo isso, me avise, por favor!




segunda-feira, 16 de junho de 2014

As voltas que a vida dá...


Hoje ao atravessar uma rua, observei uma senhorinha que se locomovia lentamente com a ajuda de uma bengala e ela me fez lembrar imediatamente de minha avó, que faleceu há pouco tempo.

Inúmeras recordações vieram a minha mente e comecei a pensar e repensar muitas coisas.

Chega um dia na vida da gente que deixamos de ser apenas filhos, para nos tornarmos pais, dos nossos próprios pais. É algo estranho, mas ao mesmo tempo tão desafiador e emocionante ver os papéis se inverterem. Com certeza,  nem todos passam por isso, mas quem passa, não esquece jamais e eu tive a honra que presenciar isso acontecendo na minha família. 

Observando minha mãe e seus irmãos cuidando de seus próprios pais,  aprendi que o amor é o elo mais forte e lindo que une as pessoas. É algo que não se compra, não se troca e não se desfaz quando é verdadeiro.

Por anos meus avós precisaram de cuidados. Primeiramente,  foram apenas cuidados externos que qualquer pessoa poderia fazer como empurrar uma cadeira de rodas, trocar fraldas, dar comida, banho, remédios, etc, mas quando tudo isso era feito pelos filhos, a felicidade era vista em seus olhos.

Com muitas dificuldades de locomoção e morando em um apartamento sem elevador, eles dependiam diariamente das visitas para conversarem e cada um que chegava, não podia sair sem tomar um café e sentar no sofá pra trocar algumas palavras. Quando levantávamos para ir embora, era sempre cedo demais. A televisão passou a ser uma companheira que não podia ser desligada jamais.

 Ali naquele pequeno apartamento foram contadas as mais lindas histórias, foram recebidos os mais sinceros sorrisos, os mais apertados abraços e foram feitas as mais difíceis despedidas.

O tempo foi passando e as enfermidades  foram aumentando, mas o amor continuava ali, presente o tempo todo.  Talvez, poucos puderam perceber quanto amor existia naquele pequeno apartamento, naquele pequeno mundo que foi se desfazendo dia a dia.

Um, se foi antes do outro. Foi dolorido, sofrido e muito agoniante, mas o amor se fez presente mais uma vez.

O outro ficou, mas com o tempo e o sofrimento veio o Alzheimer e a perda da memória, que foi gradativa, mas muito severa. Vimos uma rosa murchando a cada dia, como todos já imaginavam que iria acontecer, afinal, eles não sabiam viver sozinhos...

Foi um tempo difícil, trabalhoso e muito triste, mas o amor estava ali novamente, demonstrado em muitas visitas, conversas, parcerias, beijos, abraços e presença, muita presença. Ali era proibido ficar triste, chorar e falar de problemas, mas da porta pra fora,  muitas vezes, os olhos se encheram de lágrimas por vê-la tão distante e sem memória.

               Gratidão era a palavra que fazia cada esforço valer a pena, mesmo que a doença tivesse roubado algo tão precioso de minha avó e ela, muitas vezes, nem soubesse quem estava ali naquele momento.

As dificuldades iam aumentando, mas foram sendo superadas pelo amor que existia entre eles e nada, nem ninguém pôde apagar isso. Percebi que o tempo passou rápido demais e não nos deu a chance de voltar atrás, o que foi feito, foi feito e ponto final.

  Nessa história, a vida deu muitas voltas, os papéis se inverteram,  os filhos viraram pais e os pais viraram filhos. Cada um, da sua maneira tentou cumprir o papel que lhe cabia naquele momento da vida.  E a sensação de dever cumprido, de amor incondicional, de doação e respeito pelos pais  ficou marcado em cada um. 

Mas teve algo nessa história toda que não mudou, que não foi invertido, que não foi negociado, que não foi vendido, que não foi trocado e  que nunca acabou... o amor entre eles. 

Sentimento esse que é tão forte, tão sublime, tão intenso que foi capaz de suportar a inversão de papéis, a indiferença, a dor, a preocupação, a tristeza, a hora da partida...

Olho para essa situação e vejo quão maravilhoso é conseguir se doar e amar sem esperar nada em troca, mas ficar feliz demais por receber apenas um sorriso. Ela poderia não lembrar quem estava ali naquele momento, mas eles sabiam exatamente quem ela era e tudo que ela representava pra eles...

  
Imagem google